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Ter., maio

No dia 25 de dezembro, celebramos o Natal, palavra que significa "nascimento" e representa a comemoração do nascimento de Jesus, o Filho de Deus que veio habitar no meio de nós. Com o nascimento de Jesus, Deus manifesta a Plenitude do seu amor por nós. Uma prova de que Deus não abandona a sua criatura, mas deseja que todos, indistintamente, tenham a oportunidade de se reconhecer novamente como filhos e filhas de Deus. O nascimento de Jesus é, assim, o renascimento da humanidade em Deus, um Deus que é amor, misericórdia e compaixão.

No tempo do Natal as ruas são iluminadas, nossas casas enfeitadas com adornos natalinos. O espírito do Natal se espalha por todos os cantos. Somos interpelados pela mensagem do Natal, que nos pede transformação. À medida que o Natal vai se aproximando algo diferente vai acontecendo em nós, pois essa época nos aproxima da chegada de um novo ano, ainda desconhecido, mas na expectativa de que seja melhor do que o ano que se encerra.

O Natal de Jesus é marcado pela simplicidade, expresso na simbologia da manjedoura, “porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7b). Não ter lugar para eles na hospedaria, significa que embora o nascimento de Jesus seja a manifestação plena do amor de Deus, essa revelação só acontece efetivamente quando esse Amor encontra lugar, e o lugar somos nós, quando nos transformamos em “manjedouras” para acolher o Filho de Deus em nós. Transformar-se em “manjedoura” é permitir que a Luz de Deus resplandeça em nosso coração, a fim de que o adorno mais bonito do natal enfeite a nossa vida.

No entanto, se o Natal é o início do renascimento da humanidade em Deus, através do seu Filho Jesus, como explicar tanta injustiça e maldade ainda presente no mundo? Como entender a ganância que leva nações à guerra, resultando na morte e expulsão de inocentes de suas terras? Como aceitar que crianças ainda morram de fome, enquanto o mundo produz o suficiente para alimentar toda a humanidade? Questões como essas mostram que enquanto a humanidade não for capaz de se deixar transformar em “manjedoura”, para acolher verdadeiramente o Filho de Deus, a Luz de Deus, que é Cristo, não brilhará plenamente, porque optamos por caminhar em meio “às trevas” - as trevas da fome, da guerra, da ganância, do ódio, da corrupção e do pecado. 

Decorar as ruas e nossas casas com enfeites natalinos não é suficiente. A celebração do Natal de Jesus oferece a oportunidade de uma verdadeira conversão ao amor de Deus, para que as realidades sombrias sejam iluminadas e transformadas pela luz de Cristo. Enquanto persistirem guerras, injustiças e fome no mundo, é um sinal de que ainda não nos tornamos efetivamente “manjedouras”, nem nos abrimos verdadeiramente ao amor de Deus revelado em seu Filho Jesus.  É preciso deixar-se guiar pela estrela de Belém, a fim de transformar as realidades sombrias.