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Vie, Jun

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O mundo inteiro parou. As portas do templo foram fechadas e os bancos das igrejas ficaram vazios. Os bailes, as festas e os encontros amigáveis tiveram de esperar. Em um piscar de olhos, os hospitais ficaram cheios, as ruas desertas e silenciosas. Incerteza. Dor. Isolamento.

Onde está a juventude e todo o povo de Deus? Onde estão os intelectuais com suas cátedras e os pregadores com seus púlpitos irrenunciáveis? Cadê a multidão dos líderes apressados, competitivos e insubstituíveis?

As mídias sociais tornaram-se a “casa comum” para a humanidade carente de toque e proximidade. Todos estão à espera de consolo, de uma palavra amiga que os liberte do medo e da insegurança.

Nesse tempo difícil, nós, apóstolos comunicadores, temos uma palavra de esperança e compaixão para o mundo?  Conseguimos imprimir a “cor paulina” em nossa maneira de estar nas redes? Ou será que, também nós, nos rendemos ao desespero e à paranoia das fake news?

Nesse contexto, vale a pena recordar as sábias palavras do Papa Francisco, em sua mensagem para o XLVIII dia mundial das comunicações sociais de 2014: “neste mundo, os mass-media podem ajudar a sentir-nos mais próximo uns dos outros; a fazer-nos perceber um renovado sentido de unidade da família humana, que impele à solidariedade e a um compromisso sério para uma vida mais digna. Uma boa comunicação ajuda-nos a estar mais perto e a conhecer-nos melhor entre nós, a ser mais unidos... A rede digital pode ser um lugar rico de humanidade: não uma rede de fios, mas de pessoas humanas”.

O Facebook, o Instagram, o WhatsApp... estão povoados de periferias existenciais. Basta um olhar desacelerado para perceber, dentro e fora das redes, uma multidão angustiada e ferida à espera de afeto, ternura e compaixão. “Quando souberes chorar”, diz o Papa Francisco na Christus Vivit, “então serás capaz de fazer algo, do fundo do coração, pelos outros”.

Enquanto “artesãos de comunhão”, o que temos de belo e de profundo para oferecer aos sofredores do nosso tempo?

 

* Francisco Galvão é junior paulino do Brasil